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Entre Fraldas e Livros

Uma mãe recente, licenciada em alguma coisa (pouco) relevante que sentiu a necessidade de expressar preocupações que lhe importam e as aventuras que acontecem por aqui.

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Uma mãe recente, licenciada em alguma coisa (pouco) relevante que sentiu a necessidade de expressar preocupações que lhe importam e as aventuras que acontecem por aqui.

13
Jan15

A idade tem destas coisas

entrefraldaselivros

Nem força tenho nos dedos para escrever.

Quando saio de casa e o termómetro do carro diz 1º ou 2º o meu cérebro congela e não consigo ter ideias para depositar aqui no blog, daí isto andar paradito. 

No entanto, escrevo hoje com um texto retirado do site http://mariacapaz.pt/ onde a Joana, professora de filosofia para o 1º ciclo, fala de como aborda as aulas contorna a filosofia às crianças.

Se eu fosse professora, e cheguei a pensar várias vezes em dar aulas ao secundário, acho que a minha postura seria semelhante à dela.

Diz ela que: 

“Está bem, professora. Mas tu não tens mesmo sapatos de salto alto?!”

Sou professora de filosofia, no 1º ciclo. Sim, leram bem: filosofia para crianças, em escolas públicas. Um dia destes posso contar-vos do maravilhoso que é estar com crianças a reflectir sobre coisas como “o que é uma pessoa?”, “se as bonecas podem ter os mesmo direitos que os humanos” e “por que é que existe o amor?” com mini pessoas humanas entre os 5 e os 10 anos.  E do perigoso que é, tornar as crianças conscientes do seu pensar e sentir desde muito cedo. Mas esse não é o tópico que me traz aqui hoje.

Venho falar-vos da forma como foi recebida na escola, pelos meus alunos. Quando entro no portão da escola costumo demorar em média uns 15 minutos até chegar à entrada do edifício: pelo caminho recebo abraços, beijinhos, sorrisos e também um ar de “oh não vamos ter filosofia hoje!”. E perguntas, costumo ser bombardeada com perguntas – pouco filosóficas, diria, mas que interessam à pequenada.

O Bruno, do alto dos seus 8 anos, encontrou-me um dia e perguntou: “professora, tu não usas sapatos de salto alto?” Ao que respondi, não, habitualmente não. Ele insistiu: “Está bem professora. Mas tu não tens mesmo sapatos de salto alto?” Soltei uma gargalhada. Comecei a rever mentalmente o conteúdo da minha sapateira e lembrei-me de uns sapatos de cunha. Olha, Bruno, até tenho. Mas normalmente, como vês, ando muito de ténis e de botas. É mais confortável para mim.

Ele sorriu e foi brincar. Uns dias depois, encontrou-me no corredor. “Olá Professora. Tu não tens malas?” Bruno, tenho sim. Às vezes até trago uma. “Sim, mas andas de mochila, como nós.”

Já não basta ser a professora de uma disciplina onde as respostas não são imediatamente corrigidas com certo e errado – são sim debatidas em grupo – ainda por cima uso ténis e vou de mochila para a escola.

Recordo-me das minhas professoras da escola primária (ainda sou desse tempo) e, agora que penso nisso, acho que nunca as vi de ténis ou de mochila. Talvez não fizesse sentido para elas: os tempos eram outros e a imagem da professora era outra. Sim, digo professora, pois constato empiricamente que a maioria dos profissionais do 1º ciclo são mulheres – e conto pelos dedos os professores que conheço.

Uma das minhas características, desde muito nova, é atender à forma como as pessoas se vestem. A minha mãe conta que, por exemplo, eu todos os dias referia aquilo que a professora tinha vestido e comentava também a roupa dos meus colegas. Confesso que até hoje nunca consegui perceber como é que a minha amiga da primária, a Raquel, conseguia usar meias amarelas quando a sua roupa era maioritariamente em tons de azul. “As calças tapam, quase não se vê”, dizia-me ela. Mas o facto é que eu via.

Os meus alunos já me aceitaram, na estranheza que comporto: sou professora de filosofia, visto quase sempre de preto, tenho várias tatuagens visíveis e costumo dizer-lhes que “a filosofia é fixe”.  Peço-lhes diariamente que me tratem por Joana, ao invés de “professora”. Perguntaram-me o motivo. Respondi com um exemplo: imaginem que eu agora vos tratava a todos por aluna ou aluno. “Mas nós temos nome”, gritaram em uníssono. Eu também, meus amores. Eu também.

Um dia destes conto-vos sobre uma pergunta importante que um dos alunos fez. “Professora, tu não tens filhos?” Antecipo a resposta: não, não tenho. E não sou maria incapaz para ter um." 

in: http://mariacapaz.pt/cronicas/professora-nao-tens-sapatos-de-salto-alto-por-joana-rita-sousa/

 

Eu era pessoa para ir dar aulas de ténis ou botas rasas. É assim que estou confortável. E calças de ganga com camisolas de cores mais escuras, tal como a Joana.

Tenho tatuagens e piercings, como ela, que nunca me impediram de nada, pelo contrário. Tenho uma postura que em nada se assemelha com a idade que já tenho (não sou nada velha mas já não tenho 20 anos).

Ainda este fim de semana falava sobre isso com os meus pais. No colégio da M. insistiam em chamar-me de Senhora e eu, às tantas, respondi, como é normal "a Senhora está no céu. Ainda sou nova para esse tipo de tratamento. Trate-me pelo nome". O meu pai olhou para mim e perguntou-me se eu sabia que idade ja tenho. Respondi que sim. Tenho 30 anos (e pensei para dentro "raios, JÁ tenho 30 anos!") mas não me sinto com essa idade. Aliás, não faço ideia de como alguém com 30 anos se deve sentir. Estou baralhada com as idades... 

 

 

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